segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Poesia... Uma expressão daquilo que nos sufoca!
SOS
tem gente morrendo de medo
tem gente morrendo de esquistossomose
tem gente morrendo de hepatite meningite sifilite
tem gente morrendo de fome
tem muita gente morrendo por muitas causas
nós que não somos médicos psiquiatras
nem ao menos bons cristãos
nos dedicamos a salvar pessoas
que como nós
sofrem de um mal misterioso: o sufoco
(Chacal)
Esse poema de Chacal, poeta carioca, grande expressão da poesia da década de 70, período
da ditadura militar no Brasil, fala forte dentro de nós. A poesia é isso: o sufoco!! O que nos sufoca?
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A poesia está cá dentro de mim...
A construção da poesia confunde-se com a construção de si mesmo. Não é algo fácil de expressar, porém fácil de sentir. A poesia está em nós, está no poeta, dizer em palavras, eis aí a questão...
Poesia
Carlos Drummond de Andrade
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Vejo e sou o meu olhar...
O poema Canção pertence ao livro Canções(1956). Nesta obra, a maioria dos textos é composta por versos bastante ritmados, já anunciados no título da poesia e da obra a que ela pertence. O mundo, o poeta, o sonho...
Canção
Cecília Meireles
Assim moro em meu sonho:
como um peixe no mar.
o que sou é o que vejo.
vejo e sou meu olhar.
Água é o meu próprio corpo,
simplesmente mais denso.
E meu corpo é minha alma,
e o que sinto é o que penso.
Assim vou no meu sonho.
Se outra fui, se perdeu.
É o mundo que me envolve?
Ou sou contorno seu?
Não é noite nem dia,
não é morte nem vida:
é viagem noutro mapa,
sem volta nem partida.
Ó céu da liberdade,
por onde o coração
já nem sofre, sabendo
que bateu sempre em vão.
Canção
Cecília Meireles
Assim moro em meu sonho:
como um peixe no mar.
o que sou é o que vejo.
vejo e sou meu olhar.
Água é o meu próprio corpo,
simplesmente mais denso.
E meu corpo é minha alma,
e o que sinto é o que penso.
Assim vou no meu sonho.
Se outra fui, se perdeu.
É o mundo que me envolve?
Ou sou contorno seu?
Não é noite nem dia,
não é morte nem vida:
é viagem noutro mapa,
sem volta nem partida.
Ó céu da liberdade,
por onde o coração
já nem sofre, sabendo
que bateu sempre em vão.
O apagar da ondas do mar...
fotografia de Cristina Figueiredo
Modinha
Cecilia Meireles
Tuas palavras antigas
Deixei-as todas, deixeia-as,
Junto com as minhas cantigas,
Desenhadas nas areias.
Tantos sóis e tantas luas
Brilharam sobre essas linhas,
Das cantigas — que eram tuas —
Das palavras — que eram minhas!
O mar, de língua sonora,O mar, de língua sonora,
Sabe o presente e o passado.
Canta o que é meu, vai-se embora:
Que o resto é pouco e apagado.
O poema Modinha foi publicado no livro Vaga música(1942). Pelo título já percebemos a relação entre música e sentimento. Cecília nos toca ao coração pelas suas palavras, pela sua sensibilidade ao retratar os encontros e desencontros amorosos...
Cecilia Meireles
Tuas palavras antigas
Deixei-as todas, deixeia-as,
Junto com as minhas cantigas,
Desenhadas nas areias.
Tantos sóis e tantas luas
Brilharam sobre essas linhas,
Das cantigas — que eram tuas —
Das palavras — que eram minhas!
O mar, de língua sonora,O mar, de língua sonora,
Sabe o presente e o passado.
Canta o que é meu, vai-se embora:
Que o resto é pouco e apagado.
O poema Modinha foi publicado no livro Vaga música(1942). Pelo título já percebemos a relação entre música e sentimento. Cecília nos toca ao coração pelas suas palavras, pela sua sensibilidade ao retratar os encontros e desencontros amorosos...
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
A poesia...
domingo, 9 de agosto de 2009
Um convite à dança
Chuva, suor e cerveja
Caetano Veloso
Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...
A gente se embala
Se embora se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja...
Caetano Veloso
Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...
A gente se embala
Se embora se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Lágrimas de crocodilo
Manuel Bandeira
Teresa, se algum sujeito bancar o
sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um
bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredite não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA
sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um
bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredite não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA
Uma grande ironia de um grande poeta. Manuel Bandeira sabe o que diz: homem que se descabela por mulher... Um conselho irônico de um homem que talvez chore por Teresa e, na verdade quer afastar um possível candidato a esta mulher, que, bem romântico, se declara a ela. Acho que ele ama Teresa e, como é tímido ou até "seco", tenha dificuldade de dizer que a ama da maneira que ela gostaria que fosse dito... não sei...
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